Dois anos das enchentes: RS investiu R$ 14 bilhões e ainda tem 25 mil casas e 209 escolas em obras
Governo gaúcho apresenta balanço de R$ 14 bi e 227 projetos. No nível federal, mais de R$ 111 bi mobilizados. Mas reconstrução ainda não está concluída.

Dois anos depois que as enchentes de maio de 2024 varreram cidades inteiras da Região Metropolitana de Porto Alegre e do interior gaúcho, o Rio Grande do Sul vive a fase mais longa e silenciosa da tragédia: a reconstrução. Os números são expressivos, mas 25 mil unidades habitacionais e 209 escolas seguem em obras, segundo balanço apresentado pelo governo estadual na última semana.
O que o Estado construiu
O governo do Rio Grande do Sul contabiliza R$ 14 bilhões investidos em 227 projetos e ações desde a catástrofe. O montante abrange desde obras emergenciais de contenção até projetos de longo prazo para aumentar a resiliência do território.
Na infraestrutura viária, R$ 3,8 bilhões foram destinados à recuperação de estradas, pontes e hidrovias, por meio da Secretaria de Logística e Transportes (Selt). Obras de contenção e macrodrenagem respondem por outra fatia significativa: R$ 6,5 bilhões em diques e projetos de macro-drenagem, com intervenções em Porto Alegre — incluindo R$ 2,5 bilhões só no Arroio Feijó — e em Alvorada.
O que a União mobilizou
No plano federal, o governo apresenta um esforço histórico: mais de R$ 111 bilhões comprometidos, com cerca de R$ 90 bilhões já efetivamente pagos. Foram 18 ministérios e as Forças Armadas atuando de forma integrada. Até março de 2026:
- 430 mil famílias receberam Auxílio Reconstrução, com repasse total de R$ 2,2 bilhões;
- 25 mil moradias foram contratadas ou estão em processo de contratação pelo Minha Casa Minha Vida Reconstrução (R$ 3,5 bilhões);
- Mais de 66 mil empresas foram atendidas com crédito subsidiado;
- 229 mil produtores rurais tiveram dívidas renegociadas.
O que ainda falta
Apesar dos investimentos, a reconstrução está longe do fim. As 209 escolas estaduais e municipais que sofreram danos estruturais seguem em obras, com meta de concluir as reformas até o fim do ano letivo de 2026. Na habitação, 25 mil casas contratadas no MCMV ainda não foram entregues aos moradores deslocados.
A disputa de narrativa entre União e Estado — um dos temas recorrentes nas comemorações dos dois anos — reflete a complexidade política de uma reconstrução financiada por múltiplas esferas mas gerida de forma fragmentada.
Economia surpreendeu
Um dado que chamou atenção nos balanços: o PIB do Rio Grande do Sul cresceu 4,9% em 2024, acima da estimativa inicial de 3,6%, mesmo no ano da catástrofe. O desempenho foi puxado pela rápida mobilização de recursos federais e estaduais que injetaram liquidez na economia — mas especialistas alertam que o crescimento pontual não reflete a situação real de milhares de famílias que ainda aguardam casa ou escola reconstruída.
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