Obra de R$ 30 milhões busca destravar drenagem do Aeroporto Salgado Filho
Intervenção nos arroios Areia e Mangueira, na Zona Norte de Porto Alegre, deve começar entre junho e julho e visa reduzir risco de cheias em uma das áreas mais sensíveis da capital.

A Prefeitura de Porto Alegre e o governo do Rio Grande do Sul anunciaram uma obra emergencial de R$ 30 milhões para reduzir o risco de alagamentos na região do Aeroporto Internacional Salgado Filho. O projeto prevê intervenções estruturais nos arroios Areia e Mangueira, dois cursos d’água decisivos para o escoamento da Zona Norte da capital.
Segundo o cronograma divulgado, o serviço deve começar entre junho e julho e ser concluído ao longo do segundo semestre de 2026. A previsão chega num momento sensível: a probabilidade de formação do El Niño entre junho e agosto subiu para 62%, segundo prognósticos meteorológicos, com sinais de chuva acima da média no Rio Grande do Sul.
O que será feito
As frentes de obra contemplam:
- Desassoreamento dos canais dos arroios Areia e Mangueira;
- Recomposição de margens e estruturas de contenção;
- Reforço de bueiros e galerias que cruzam vias críticas, como a avenida Sertório;
- Modernização de comportas e dispositivos de controle de fluxo entre os arroios e o sistema de bombeamento da capital.
A intenção é restabelecer a capacidade de vazão dos cursos d’água, hoje comprometida por décadas de assoreamento e ocupação irregular.
Impacto para o aeroporto e o entorno
O Salgado Filho ficou sem operar regularmente por semanas durante a enchente de 2024. Além de prejuízos diretos ao setor aéreo — a operação foi parcialmente transferida para outras cidades —, o entorno do aeroporto concentra centros logísticos, terminais de carga, indústrias e residências.
Bairros como Sarandi, Anchieta, Vila Farrapos e Humaitá dependem da boa drenagem dessa área e foram severamente atingidos no episódio anterior. A obra emergencial é considerada um “gargalo dos gargalos” por engenheiros do Departamento Municipal de Águas e Esgotos (DMAE).
Onde a obra se encaixa
A intervenção dos arroios faz parte de um plano maior, que envolve a modernização de 22 casas de bombas, a substituição de portões do Muro da Mauá e o reforço do sistema de drenagem em toda a cidade — pacote estimado em R$ 2,3 bilhões.
Apesar do volume de recursos, a Prefeitura admite que nem todos os trechos críticos estarão protegidos antes do próximo verão. Por isso, o foco prioritário recai sobre obras que reduzam risco de paralisação total do sistema, como a do entorno do aeroporto.
O que está em jogo
Eldorado do Sul, vizinha à capital, ainda não tem sistema próprio de proteção contra cheias e segue como um dos casos mais delicados da Região Metropolitana. Em Porto Alegre, especialistas alertam que o tempo é fator central: cada semana sem chuva extrema é uma semana a mais para entregar o que ainda está pendente.
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