Trensurb moderniza rede elétrica com eletrocentros tchecos à prova de enchente
Contrato de R$ 84,2 milhões prevê três subestações novas até novembro. Equipamentos elevados acima da cota de inundação para resistir a próximas cheias.

A Trensurb avança na modernização do sistema elétrico de tração — o conjunto de equipamentos responsável por fornecer energia às composições em movimento. Com um contrato de R$ 84,2 milhões, a empresa está instalando novos eletrocentros em três das suas subestações, usando tecnologia importada da República Tcheca e com uma novidade crítica: os equipamentos foram projetados para ficar acima da cota de inundação, evitando a repetição do colapso causado pelas enchentes de maio de 2024.
Três subestações no cronograma
As obras atingem as subestações de Fátima (Canoas), Farrapos (Porto Alegre) e São Luís (Canoas). A de Fátima foi concluída em janeiro de 2026, a de Farrapos tem previsão para junho e a de São Luís para novembro de 2026.
Cada eletrocentro é um módulo integrado que reúne retificadores digitais de tração e disjuntores ultra-rápidos, todos controlados por sistema de supervisão em tempo real. A modernização permite maior automação, menor tempo de resposta a falhas e redução de custos de manutenção.
Lição das enchentes
Quando a inundação de maio de 2024 atingiu o sistema Trensurb, as subestações elétricas foram das primeiras infraestruturas a falhar — alagadas, os equipamentos ficaram inutilizados e demandaram reparo ou substituição total. A paralisação forçou a empresa a operar com ônibus substitutos por mais de 15 meses.
A reconstrução foi desenhada para não repetir esse cenário: os novos eletrocentros foram instalados em posição elevada em relação ao nível do solo, com estrutura de proteção física contra inundação. O projeto foi elaborado com base nos dados hidrológicos das cheias de 2024.
Sistema em recuperação
Com as três subestações modernizadas, todos os novos sistemas elétricos da Trensurb deverão estar operacionais até novembro de 2026. A empresa também avança na atualização da sinalização ferroviária — o trecho entre Farrapos e a Estação Mercado é o último a ser concluído, com previsão para outubro.
O metrô gaúcho voltou à operação plena em agosto de 2025, após 15 meses de substituição por ônibus. A modernização elétrica visa garantir que, nas próximas décadas, o sistema suporte eventos climáticos extremos sem interromper a circulação das 22 estações entre Porto Alegre e Novo Hamburgo.
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